sexta-feira, 17 de março de 2017


Pode a Educação ser verdadeiramente Inclusiva sem serviços de Psicologia?


In Obsetvador.pt


Urge dotar as escolas de psicólogos em permanência, que possam estar na linha da frente de práticas que apostem na promoção, prevenção e na intervenção precoce, em detrimento da remedição.


No centro da atual discussão sobre educação inclusiva em Portugal e do seu alinhamento com as exigências oficiais europeias e internacionais, torna-se imperativo perspetivá-la como um direito de todos os alunos, sem exceções.
Há quase 20 anos no exercício da psicologia em contexto escolar e enquanto recurso especializado, integro uma cultura educativa ela própria inclusiva dos seus diferentes participantes e serviços. Colaboro em experiências educativas que visam a inclusão plena dos alunos e a qualidade do ensino-aprendizagem. E é neste contexto que participo e observo mais-valias na construção de projetos educativos e de currículos, flexíveis e suficientemente diferenciados, verdadeira e legitimamente acessíveis para todos os alunos.
Contribuo para associar à educação e ao currículo oportunidades do aluno desenvolver as suas soft-skills, através de programas sustentados de promoção de competências socioemocionais ou de promoção da saúde e bem-estar psicossocial. E estou certa de que estes programas ajudam na prevenção de comportamentos de risco tão mediatizados como a violência escolar, entre outros.
Colaboro em projetos de tutoria especialmente pensados para o desenvolvimento global e sucesso escolar de todos os alunos, não apenas dos que experienciam insucesso escolar. E em outros tantos, que promovem neles competências para comunicar, interagir positivamente e resolver problemas, através do respeito mútuo, tolerância e aceitação do outro, colocando em perspetiva como a inclusão faz funcionar a diversidade. Incluo finalmente a promoção de valores que provoquem no aluno a responsabilidade social, preparando-o para ser socialmente interventivo e capaz de transpor a sua experiência de inclusão educativa para ações comunitárias de inclusão social.
Enquanto psicóloga escolar, apoio a escola e os professores na adequação das estratégias e respostas educativas, através de intervenções focadas na aprendizagem e/ou no comportamento, e na avaliação sistemática das necessidades e progressos dos alunos. Desta forma, professores e psicólogos garantem esforços conjuntos, soluções e práticas pedagógicas diferenciados e personalizados, de acordo com as necessidades, estilos de aprendizagem e o perfil de cada aluno em particular e do grupo-turma em geral, assegurando a respetiva qualidade educativa, em prol da equidade.
Um dos maiores contributos da intervenção psicológica para a educação inclusiva assentará, sem dúvida, na própria inclusão das famílias. Mais do que um ato pedagógico, a aprendizagem é um ato social de interação e a qualidade das relações e interações podem transformar os alunos, o seu desempenho e a escola. Por isso, é papel dos serviços de psicologia escutar também as vozes dos alunos e das suas famílias sobre quais as suas necessidades, facilitar a sua participação em tomadas de decisão e o seu compromisso com a escola.
Urge uma mudança de paradigma! Urge dotar as escolas de psicólogos em permanência, que possam estar na linha da frente do desenvolvimento de práticas que apostem na promoção, prevenção e na intervenção precoce, em detrimento da remediação. Urge reconhecer o seu contributo para o desenho de intervenções mais abrangentes e menos restritivas, portanto mais acessíveis a todos e mais conducentes ao sucesso educativo dos alunos e das escolas e a uma maior qualidade de vida destes. Creio que esta, sim, seria uma mudança efetivamente mais sustentadora do verdadeiro sucesso educativo e de uma educação verdadeiramente inclusiva!
Vice-presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Animação emocionante reflete: 'para que educamos as crianças'?

"Se a um ser humano dizemos que a única coisa que importa de tudo o que está fazendo agora é preparar-se para continuar vivendo, estamos falando a um escravo, e não a ser humano".
A fala acima é da psicóloga argentina Silvia Bleichmar. Em entrevista ao Toda Criança Aprender, ela levanta uma questão urgente quando o assunto é educação infantil e sociedade: por que (e, principalmente, para que, educamos as nossas crianças?
É justamente sobre essa questão que se debruça uma animação encantadora, produzida por Daniel Martínez e Rafa Cano Méndez. O filme "Alike" ("Igual") consegue, em menos de dez minutos, fazer uma reflexão profunda sobre os papéis sociais que transmitimos para uma criança, e como os valores de vida que comunicamos em nossas atitudes refletem no modo como as crianças percebem seu papel no mundo.
Na história, o personagem Copi é um pai trabalhador e engajado, que se preocupa em ensinar o caminho certo para seu filho. Porém, a rotina atribulada não lhe deixa para refletir por que faz isso, e mais importante, para que faz isso. Ele só cumpre horários, executa tarefas e ensina o filho a repetir este comportamento.
O desenrolar dos acontecimentos mostra como, muitas vezes, copiamos os padrões que nos ensinaram, sem parar para refletir qual o sentido daquilo. Afinal, 'certo' e 'errado' são valores social e historicamente construídos, e mais importante do que introjetá-los em nossas vidas, é refletir sobre o que funciona para cada indivíduo e cada família.
Por sua sensibilidade e linguagem poética e delicada, o vídeo pode ser utilizado em sala de aula, por educadores que queiram propor uma discussão sobre sociedade, cultura, economia, valores familiares, padrões comportamentais e relações interpessoais. Assista:

"Vamos ensinar a pescar!"


A produtora norte-americana de cinema Pixar lançou uma nova curta-metragem chamada "Piper". Esta conta a história de um filhote de ave que está às voltas com o processo de amadurecimento.
Esta não é uma fase simples da vida para nenhuma criatura, mas, se colocar-mos um pouquinho de imaginação, tudo dá certo. Uma curta realmente meiga e cheia de sentido!