sexta-feira, 13 de setembro de 2013
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
Inteligência artificial
Será que uma máquina poderá vir a ter a capacidade racional de um ser humano? Um computador pensa? Uma máquina possui inteligência?
Leiam o artigo e deixem que outras questões façam ninho na vossa cabeça.
AI scores same as a 4-year-old in verbal IQ test
by MacGregor Campbell
Computers aren't really known for
their way with words, but that could be about to change. An artificial
intelligence program recently scored as high as a 4-year-old on a test
of verbal IQ. The result may help AIs develop common sense.
AIs such as Google's search engine or IBM's Watson typically
perform well in specific areas, like ranking web pages or answering
game-show style questions. But these systems tend to fail when asked to
do things outside of their narrow area of expertise. For years
researchers have attempted to build systems with a more general "common
sense" understanding, but have had mixed results.
Step forward ConceptNet. Developed by Catherine Havasi and her team at the MIT Media Lab ConceptNet draws upon a crowdsourced database of
millions of statements describing simple relationships between everyday
objects, such as "a fawn is a deer" or "ice cream is capable of
melting".
Havasi describes the system as
containing "the kind of information that everybody knows about the world
but that nobody ever writes down because we learn it too early".
To test ConceptNet's overall intelligence, Robert Sloan and
Stellan Ohlsson of the University of Illinois at Chicago, who were not
involved in the system's creation, used a standard measure of child IQ
called the Wechsler Preschool and Primary Scale of Intelligence.
The verbal portion of the test asks questions in five categories,
ranging from simple vocabulary questions, like "What is a house?", to
guessing an object from a number of clues such as "You can see through
it. It is a square and can be opened. What is it?"
To answer a question from the test,
like "What do you wear on your head?", ConceptNet searches its database
for the object that is most closely related to the pair "wear" and
"head".
For the three main categories of
questions – information, vocabulary and word reasoning – Sloan and
Ohlsson found that the system's aggregate verbal IQ was equal to that of
an average human 4-year-old. "I didn't expect to see 4-year-old
performance," says Sloan, who presented the results at the Association
for the Advancement of Artificial Intelligence conference in Bellevue,
Washington, last week. Havasi points out that this research only tested
the system's verbal ability and ignored parts of the test that covered
spatial and symbolic reasoning.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Matemática antiga e moderna!
Programas de Matemática:
a luta entre a memorização e a compreensão
Por Bárbara Wong
In Jornal Público
Aritmética, geometria e álgebra. Estas eram as matérias ensinadas na
década de 1950. Depois disso, a Matemática evoluiu e mais do que a
memorização, os programas caminharam para uma compreensão do processo
matemático. Agora, lamentam muitos, há um regresso ao passado.
Em 1948 foram aprovados os
programas de Matemática do 3.º ciclo do ensino liceal, os actuais 10.º e
11.º anos do secundário. A álgebra era “o mais importante”, recorda
João Pedro da Ponte, investigador do Instituto de Educação da
Universidade de Lisboa e um dos autores do programa de Matemática do
ensino básico de 2007, entretanto substituído pelo novo, na passada
semana.
Naquele tempo, a aritmética era estudada nos níveis de
ensino mais elementares e, a partir do actual 3.º ciclo fazia-se a
iniciação ao estudo da álgebra e geometria. Chegados ao secundário, os
alunos trabalhavam a aritmética racional, “cujos métodos de estudo eram
considerados os que mais se prestavam a criar no aluno hábitos de rigor
científico”, escreve João Pedro da Ponte num texto sobre o currículo de
Matemática no ensino secundário.
No final da década de 1950, o
movimento da Matemática Moderna ganha força e consegue entrar nos
currículos escolares de muitos países. Em Portugal, pela mão de José
Sebastião e Silva, esta corrente é integrada de forma equilibrada,
recorda Leonor Santos da Sociedade Portuguesa de Investigação em
Educação Matemática (SPIEM). O matemático “tinha uma visão moderada” e a
introdução foi feita com “muito cuidado”, corrobora João Pedro da
Ponte. Esta é uma “matemática muito abstracta, carregada de símbolos”,
continua o investigador.
Por essa razão, a Matemática Moderna não
corre bem em muitos países, abrindo guerras entre os que a preconizam e
os que defendem o que se ensinava antes. Os últimos acusam a Matemática
Moderna de ter uma “terminologia pretensiosa” e reclamam o regresso ao
ensino das competências básicas (em inglês back to basics). Ou seja, “o regresso ao cálculo, às contas e ao fazer de cor”, define João Pedro da Ponte.
Este movimento back to basics
“encontrou forte oposição, logo desde o seu início, da parte da
comunidade educativa”, recorda o investigador. “Há uma diferença de
percepções sobre o que é aprender matemática”, confirma Leonor Santos.
Os matemáticos seguem um caminho e os investigadores ligados à educação
outro. Os primeiros defendem o rigor matemático e os segundos não o
descartam mas querem que todos a compreendam e tenham acesso a ela,
explica.
Os programas que se seguem, no currículo português, visam
sobretudo a compreensão. Em 1991, com a reforma Roberto Carneiro é
aprovado um programa com o objectivo de ligar a matemática ao mundo
real. Em 2007 os programas são reformulados com o mesmo fim, o de
reforçar o espírito crítico dos alunos. Paralelamente foi feito um forte
investimento na formação contínua dos professores. Sem ser avaliado, na
semana passada, foi homologado um novo programa para o ensino básico, o
que deixou os autores dos anteriores programas, a Associação de
Professores de Matemática e a SPIEM indignados. Por outro lado, a
Sociedade Portuguesa de Matemática, de que Nuno Crato foi presidente
antes de ser ministro, congratulou-se com a mudança, considerando o novo
programa “benéfico”.
Luta política na Matemática?
“Antes de ser ministro, Nuno Crato dizia que primeiro [os alunos] aprendem e depois compreendem. Essa é uma filosofia contrária à dos programas [de 2007], em que o objectivo é que vão aprendendo, vão-se aproximando dos conceitos matemáticos, vão trabalhando para que os compreendam e lhes dêem significado. Portanto, vão-se trabalhando os conceitos, à medida que os alunos crescem. A forma como uma criança aprende não é igual à de um adulto”, justifica Leonor Santos. O novo programa procura que os estudantes “dominem um conjunto de técnicas, memorizem definições, apostando-se em que primeiro aprendam e depois compreendam”, continua.
O
programa de 2007 pretendia dotar os estudantes de competências que lhes
permitissem, por exemplo abrir um jornal e ler, com espírito crítico,
as estatísticas ou as infografias; ou para quando ia ao supermercado
conseguir fazer uma estimativa, exemplifica a professora. O novo
programa acentua o trabalho matemático. “O que os matemáticos fazem no
dia-a-dia é muito diferente da matemática que é precisa para a maioria
da sociedade”, acrescenta a responsável da SPIEM.
A Associação de
Professores de Matemática diz que o programa aprovado representa "um
retrocesso de 40 anos no ensino da disciplina" que terá efeitos
negativos na aprendizagem, aponta à Lusa. Agora, é o “back to basics: muita memorização”, resume João Pedro da Ponte.
O
Ministério da Educação já veio dizer que não e que a compreensão também
é uma preocupação do novo programa. Mais: este é muito semelhante ao
anterior, defendeu Carlos Grosso, um dos autores, em declarações à
Lusa. Segundo o professor, as mudanças foram sobretudo a nível de
organização: algumas matérias desapareceram (como as estimativas) e
outras foram mudadas de anos de escolaridade (as translações e
probabilidades passaram do 1.º para o 3.º ciclo).
Há uma luta
política na Matemática? João Pedro da Ponte admite que sim. “Há uma luta
política pelo controlo do que se passa no ensino da Matemática e essa
torna-se numa luta fratricida. São dois grupos que procuram aliados
políticos.” E encontraram-nos, os do ensino da Matemática mais ligados à
esquerda e os matemáticos à direita, distingue. “As teses de Crato são
caras a certos sectores do CDS”, acrescenta.
O novo programa pode
ser elitista, com uma Matemática só para alguns, “os que vão para as as
engenharias e as ciências” e não para todos, para a escola inclusiva,
para esses ficam as noções de “como fazer uns trocos”, lamenta João
Pedro da Ponte. “Há uma diferença grande: o anterior currículo apostava
na compreensão que passa pelo pressuposto de que todos os alunos vão ser
capazes de aprender e vão saber usar a Matemática no dia-a-dia”,
acrescenta Leonor Santos.
A memorização e a compreensão são
incompatíveis? Não, dizem os dois investigadores. “A memorização não tem
mal, o problema é a aprendizagem ser baseada na memorização, esta é
essencial, mas é importante o desenvolvimento do pensamento. [Com o novo
programa] o espírito crítico é altamente desvalorizado e há uma
preocupação excessiva com o rigor matemático”, conclui o investigador.
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